Vereadora Tatiana Medeiros é condenada a 19 anos e perda do mandato
Tatiana Teixeira Medeiros a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato-desvio, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro
A Justiça Eleitoral condenou a vereadora de Teresina Tatiana Teixeira Medeiros a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato-desvio, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. Além da pena privativa de liberdade, a parlamentar também foi condenada ao pagamento de 492 dias-multa, perdeu o mandato e ficou proibida de exercer qualquer função pública.
A sentença, publicada nesta segunda-feira (27), também determina o pagamento solidário de R$ 1 milhão por danos causados à coletividade. A decisão foi proferida por um colegiado formado por três juízes da Justiça Eleitoral, modelo adotado em razão da complexidade do processo e da quantidade de investigados envolvidos.
Com 205 páginas, a sentença foi divulgada cerca de cinco meses após o julgamento, realizado no fim de novembro de 2025. Na decisão, os magistrados concluíram que houve comprovação da autoria e da materialidade dos crimes, apontando a existência de uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas para compra de votos, manipulação eleitoral e movimentações financeiras ilícitas.
Segundo a decisão judicial, o grupo utilizava uma entidade social para distribuir benefícios e influenciar eleitores em comunidades específicas durante o período eleitoral.
A Justiça também rejeitou os pedidos apresentados pelas defesas, que alegavam nulidade de provas e cerceamento de defesa, ao entender que não houve prejuízo processual e que os elementos reunidos ao longo da investigação são suficientes para embasar a condenação.
A defesa da vereadora informou que está analisando a sentença e confirmou que irá recorrer da decisão.
Além disso, o juízo negou o direito de recorrer em liberdade aos apontados como líderes do esquema criminoso.
Entenda o caso
A investigação que culminou na condenação da vereadora de Teresina Tatiana Teixeira Medeiros teve início em novembro de 2024, menos de um mês após sua eleição para a Câmara Municipal com 2.925 votos pelo quociente partidário do Partido Socialista Brasileiro.
No dia 14 daquele mês, Alandilson Cardoso Passos foi preso em Belo Horizonte durante uma ação conjunta da Polícia Civil do Piauí e da Polícia Federal, denominada Operação DENARC 64. Ele é apontado pelas investigações como integrante do núcleo financeiro da facção criminosa Bonde dos 40. No momento da prisão, Tatiana estava no mesmo hotel e afirmou, na ocasião, que acompanhava o então companheiro em uma viagem de descanso após a campanha eleitoral.
Segundo a investigação, Alandilson já possuía antecedentes por tráfico de drogas e roubo qualificado e, mesmo sem vínculo formal de emprego, mantinha um padrão de vida elevado. A Polícia Federal aponta que ele atuava na movimentação financeira da facção, que teria lavado cerca de R$ 2 bilhões por meio de empresas de fachada, incluindo revendedoras de veículos.
Em dezembro de 2024, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Escudo Eleitoral, cumprindo mandados de busca e apreensão na sede do Instituto Vamos Juntos, organização fundada por Tatiana e responsável por ações sociais em comunidades da zona Norte de Teresina. Durante a operação, foram apreendidos R$ 100 mil em espécie.
A partir daí, a PF passou a apurar se a entidade teria sido utilizada para lavagem de dinheiro e financiamento ilícito de campanha eleitoral. As investigações apontaram ainda que integrantes da facção atuavam coagindo eleitores em comunidades dominadas pelo grupo criminoso, como o bairro Olaria, onde a ONG funcionava.
Em março de 2025, antes mesmo de ser presa, Tatiana foi afastada da função de secretária-geral do PSB em Teresina. Na época, a parlamentar declarou publicamente que estava sendo vítima de perseguição política.
A prisão da vereadora ocorreu em 3 de abril de 2025, durante a segunda fase da Operação Escudo Eleitoral, quando a Polícia Federal aprofundou as investigações sobre suposta compra de votos, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e uso de estrutura criminosa para influenciar o resultado das eleições municipais.
Pouco mais de um ano depois, a Justiça Eleitoral concluiu o julgamento e condenou a parlamentar a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão, além da perda do mandato e da proibição de exercer função pública.





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